A primeira rede social
para Sugar Babies e
Sugar Daddies
do Brasil
CADASTRE-SE
01/10/2016
Revista Top

Adocica a Minha Vida

EDIÇÃO 213 / 2016 Lifestyle

TOP MAGAZINE

Por Kike Martins da Costa Fotos Divulgação ©5 min


HOMENS DE SUCESSO, NA MEIA-IDADE, ADORAM MOCINHAS NOVAS, CHEIAS de juventude, certo? E também não são poucas as moçoilas que curtem a segurança que um homem maduro e bem-sucedido profissionalmente pode garantir, não é? Para aproximar “A” de “B”, chegou ao Brasil, no final de 2015, o www.meupatrocinio.com, primeiro site de relacionamento para SugarBabies e SugarDaddies do país. Mas quem são eles? O conceito, na verdade, é bastante comum nos Estados Unidos. É como um estilo de vida, que reúne homens ricos e generosos a garotas atraentes, inteligentes e ambiciosas para relações com muita transparência, acordos preestabelecidos, expectativas alinhadas e benefícios mútuos.

Pelo site, funciona assim: cada um dos 10 mil SugarDaddies inscritos paga uma mensalidade que varia de R$ 199 (pacote básico) a R$ 999 (pacote premium) e pode acessar os perfis das 41 mil SugarBabies interessadas em conhecer homens e estabelecer um relacionamento. A direção da página tenta manter sempre essa relação de quatro SugarBabies em média para cada SugarDaddy. Elas não pagam nada para participar, mas passam por um processo de seleção e assinam termos de confidencialidade, atestados de veracidade das informações fornecidas e garantias de que não estão vendendo sexo.

Os encontros, em geral, acontecem em restaurantes bacanas, eventos ou lugares públicos — a SugarBaby nunca vai direto à casa de seu pretendente. O que vai acontecer a partir desse encontro? Tudo. Ou nada. Pode terminar com um simples adeus, caso não tenha surgido nenhuma química ou interesse entre os dois; ou com a promessa de mais outros “dates” e viagens, se a atração entre eles tiver sido despertada de alguma forma; ou ainda com uma noite de muito romance e sexo, caso uma flamejante paixão à primeira vista tenha aflorado.

Seria um agenciamento de serviços de prostituição disfarçado? Com certeza, não: o homem que quer esse tipo de atendimento não precisa perder tempo conquistando, cortejando e levando sua mulher-objeto para jantares, viagens e joguinhos amorosos. Existem tantos outros sites e serviços que fazem esse trabalho sem tanta enrolação… Seria, então, uma arapuca para jovens garotas enfeitiçarem os coroas e aplicarem versões modernas do famoso “golpe do baú”? Também não: os homens que entram nessa sabem muito bem onde estão se metendo — por favor, entenda que essa frase não tem nenhuma conotação marota, ok?

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“Me cadastrei no site para encontrar um homem que me ajude a viver como eu sonho. Não é só uma questão financeira, é o fato dele querer compartilhar isso, me respeitando e me valorizando. Quero um cavalheiro ao meu
lado”, relata a estudante universitária Carol, de 22 anos.

“Um executivo não tem tempo para perder procurando sua alma gêmea em bares e festas, escolher sua parceira apenas pela aparência ou pelo jeito dela”, Jennifer Lobo, criadora do MeuPatrocínio.com

Então o Meu.Patrocínio.com é apenas mais um site de relacionamentos? De certa forma sim, mas sua criadora faz questão de destacar alguns diferenciais: “Ao se cadastrarem, os SugarDaddies e as SugarBabies preenchem formulários deixando bem claros quais são seus gostos, preferências e expectativas, o que buscam e o que têm a oferecer. É muito mais prático e eficiente você só encontrar pessoas com os mesmos interesses e um estilo de vida semelhante ao seu”, diz Jennifer Lobo, de 29 anos, nascida nos Estados Unidos, mas filha de um casal de paulistanos. Após formar-se em comunicação em Auburn, no Alabama, ela se mudou para Nova York para trabalhar em um site de lifestyle. Depois decidiu voltar a São Paulo para criar seu próprio negócio. “A probabilidade desse relacionamento dar certo é muito maior do que você ficar indo a bares e festas e escolher sua parceira apenas pela aparência ou pelo jeito dela. Um executivo não tem tempo para perder procurando sua alma gêmea num universo tão amplo e com um menu tão variado.”

No site, além de exibir os perfis dos Daddys e das Babies, Jennifer dá dicas de etiqueta Sugar. Às meninas, ensina que, na hora de calcular a mesada que deve pedir ao seu Daddy, precisa somar todas as despesas que quer que ele financie e, depois, multiplicar por dois, “para ter uma margem, em casos de emergências”. Se quiser comprar um sapato caro, não deve pedir diretamente um calçado — item sem grande apelo no imaginário masculino. Deve dizer que sonhou com um look bem sexy, uma lingerie superousada. Aí o papaizão já vai liberar a grana. Só então a garota diz que a tal produção só ficaria completa se tivesse também aquele sapato na composição. Extasiado, o Daddy fatalmente deixará sua baby se fartar no açucareiro dele… “Homens e mulheres precisam perder o pudor de falar sobre finanças em casa. É bom que tudo seja definido com clareza, sem tabus. Segundo uma pesquisa recente, 56% das separações no Reino Unido se devem a brigas por dinheiro. Quando essas questões financeiras são expostas e solucionadas abertamente, é muito maior a chance de um relacionamento ser mais duradouro”, avalia Jennifer, que tem opinião semelhante à do educador financeiro norte-americano Alvin Hall, que não tem dúvidas em afirmar que “o dinheiro é tão ou mais importante do que o sexo quando se trata da duração ou da ruptura de um casamento”.

CONTROVÉRSIAS
Os críticos desse tipo de relacionamento alegam que as mulheres que entram nessa estão na contramão do empoderamento feminino, tão valorizado nos dias de hoje. Dizem que elas ficam mais e mais dependentes dos homens, em vez de se libertarem do primitivo provedor masculino. Mas Jennifer diz que o que acontece na realidade é exatamente o contrário. “A garota que decide entrar nesse universo Sugar faz isso porque quer, porque tem o controle sobre sua vida e suas opções. O que não é certo é alguma feminista ou outra pessoa qualquer dizer o que essa garota deve ou não fazer. Ela é a senhora do seu destino”, rebate a empreendedora. Mas e o amor, onde fica nessa relação? Segundo Cristiane Pertusi, psicóloga especialista em terapia de casais, fica meio evidente que as duas partes envolvidas nessa relação não têm o amor verdadeiro como prioridade. “Ele parece estar buscando apenas mais uma meta para atingir, um troféu que possa exibir para confirmar o seu poder; e ela deixa claro que conseguir acesso a dinheiro e riqueza, ainda que não seja por conta de seu próprio trabalho, é o principal em sua vida neste momento.

A garota que decide entrar nesse universo Sugar faz isso porque quer, porque tem o controle sobre sua vida. Ela é a senhora do seu destino”, Jennifer Lobo

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O amor fica relegado a um segundo plano, algo que pode vir ou não como um bônus, uma meta secundária ou algo menos importante”, explica Cristiane. “É uma pena, porque a gente só tem uma juventude. Não vai ser surpresa se isso, no futuro, gerar um grande vazio no coração dessas moças.”

Já o terapeuta analítico-comportamental Ghoeber Morales não condena esse estilo de vida Sugar e até acredita que ele levanta questões relevantes: “No fundo, esse site simplesmente escracha algo que ocorre na nossa sociedade com grande frequência. Há uma série de namoros e casamentos que ainda são construídos dessa forma. Ou seja, relações que se iniciam e se sustentam por muitos e muitos anos em função de trocas, de ambas as partes. Mas pelo site tudo é feito mais abertamente”, avalia Morales. “Na nossa sociedade, várias normas nos são incutidas sobre o amor, sobre o que seria um relacionamento verdadeiro, sobre o que seria adequado etc. No entanto, tais regras podem e devem ser questionadas. Afinal, cada um constrói para si o que considera um relacionamento afetivo saudável e genuíno. Os SugarDaddies e as SugarBabies fazem com que a gente reflita sobre o que verdadeiramente queremos.”

De fato, exemplos desse tipo estão em toda parte, em breve, talvez também na Casa Branca. Melania Trump, 25 anos mais nova que o ruivo Donald, candidato à Presidência dos Estados Unidos e bilionário do setor imobiliário, também dono de cassinos, hotéis e clubes de golfe, entre tantas outras propriedades. A talvez futura primeira dama, trabalhava como modelo internacional profissional em Nova York quando conheceu o Donald e tinha 28 anos de idade na época.  Não sabemos se esse casal se aproximou por meio de sites de relacionamento, mas o fato é que as histórias que rolam no universo Sugar são bem parecidas com as de Trump e de tantas outras milhares de pessoas.